Natal da minha infância…

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Nāo existia tanta luz, tanto brilho, tanta abundância, mas a palavra que encontro para melhor definir o Natal na minha infância é Mágico…

A preparação era longa mas prazerosa, tudo feito em família empolgados pela alegria do reencontro.

Montava-se o presépio, colhendo com cuidado os “tapetes” de musgo, e procurando as mais bonitas pedrinhas, para servirem de chão às figuras do presépio, dispostas com o rigor e o empenho que a tarefa requeria.

Não faltava também o pinheiro, escolhido a preceito, decorado com motivos natalícios, na sua maior parte fruto da criatividade dos mais talentosos para o efeito.

Enchia-se a casa com verduras, próprias da época, deixando um perfume que ainda hoje conservo na minha memória.

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Da cozinha, com uma desordem ordenada, os aromas iam dando conta do que por lá se fazia.Preparavam-se as iguarias que não podiam faltar na mesa de Natal, como os biscoitos, a massa sovada e os licores.

A azáfama dos preparativos e a família reunida, enchiam a casa de uma vivacidade e alegria que tornavam as tarefas leves e divertidas.

O ponto alto do Natal era a Missa do Galo, há meia-noite em ponto, com a igreja engalanada para a festa, não faltando o presépio, que apesar de se repetir ano após ano tinha sempre um encanto renovado. No fim da missa, em fila, todos iam beijar o Menino Jesus, culminando assim a celebração do seu nascimento.

De volta a casa, o caminho era percorrido a pé, numa excitação incontida, entre risos e gargalhadas, pois seguia-se o momento de abrir as prendas deixadas pelo Menino Jesus. Cada pessoa tinha uma prenda que pela surpresa e valor sentimental fazia as delícias de todos.

Ceavam-se as iguarias preparadas para o momento, madrugada fora entre brincadeiras e animadas conversas.

No dia de Natal, o almoço era o ponto alto com toda a família reunida a volta da mesa para saborear um repasto com o melhor que havia, em que se seguiam os jogos, a conversa e os petiscos até ser noite, juntos e imbuídos de um verdadeiro espírito natalício.

Hoje já não há Magia… apenas Natal!

(Manuela Resendes)

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2 Comments

  1. Nas minhas recordações de infância, o Natal está presente e com essa magia de que fala no seu bonito texto e que se foi perdendo, infelizmente, dando lugar ao consumismo. É com alegria e alguma nostalgia (a saudade é responsável por isso, mas não deixa de ser normal) que recordo esses momentos e tive a sorte (sempre adorei fazer isso!) de visitar amiudadas vezes, ao longo do ano, os familiares e amigos idosos, dos quais recordo as conversas e o que aprendi com eles. Dia em que não fizesse uma visita a um deles ou mais não era completo, nem me sentia tão feliz. Por vezes, quando saía da escola ou um pouco mais tarde, acompanhada da minha mãe. Mais crescida, ia sozinha e deliciava-me ouvi-los! Não trocava isso por nada! Saudades? Tantas que parece transbordarem do meu coração! Beijinho.

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