O vento

Ali, num recanto do meu jardim

A folhear um velho livro de poesia

Olho as folhas e nuvens em romaria

Pássaros a saltitar num grande frenesim

Palavras soltam-se, no vento da madrugada

Transportam com ele o perfume da saudade

E vejo pétalas que caem por pura vaidade

Deixando assim a sua alma subjugada

Não sei a forma nem a cor do vento

Leva mil promessas e traz alguns sonhos

Inventa futuros que podem ser risonhos

Que são magia e outras vezes lamento

Nasci em tempos ainda áridos e rudes

Em noites que despem madrugadas

Luzes que iluminam, almas enganadas

Sofrimentos feitos de grandes virtudes

Mas mesmo quando estou ausente

Sei de cor a textura do meu chão

Que me deixa aguçada a impressão

De sempre ter estado lá, presente.

(Manuela Resendes)

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