Manhãs de nevoeiro

Não se vê o céu nem o mar, as nuvens não têm forma e o denso nevoeiro encobre até as doces lembranças.

Os sítios parecem estar fora do mapa, entre sombras e vazios, onde se espelham pensamentos numa escuridão arbitrária.

A água vai caindo gota a gota do beiral, lavando saudades indefinidas, à espera de uma luz que se irá refazer.

Estes dias têm de ser temperados de riso e ironia, em que se colhem as palavras mal habitadas e delas se faz poesia.

E para abrir clareiras é preciso espreitar além do escuro, procurar portos abrigados, não permitindo perder o norte e de forma livre acolher o futuro.

Nestes dias até os pássaros ficam em silêncio, não sei se por med,o ou por falta de alegria, mas é preciso ousar romper o nevoeiro!

(Manuela Resendes)

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