O vento

O vento sussurra ao meu ouvido e fala-me de outras vidas, de outras latitudes e de memórias.

Chega até mim uma fragrância que o tempo tinha levado, para um destino onde já não habito.

E a leve brisa que me massaja o rosto transporta-me para um universo de utopias, com a alma ensolarada e o corpo banhado de mar.

Abraças os espaços e todas as existências de forma invisível, em voos carregados de ambiguidades. Até o tempo por vezes passa devagar, percorrendo lembranças que são devolvidas à memória em noites de insónia.

E as palavras, salpicadas com o orvalho da manhã, ganham asas e são levadas pelo vento, agitando a vida apagada e devolvendo respostas ou formulando novas perguntas.

Abres clareiras em céus escuros, pondo a nu o azul sedutor que faz brotar o poema do futuro sonhado.

E em noites de luar, o teu sopro suave sobre mares calmos gera um reflexo que nos remete para o infinito!

(Manuela Resendes)

2 Comments

Deixe um comentário