Batizado do Francisco

E já batizámos o Francisco…

O Francisco é um bebé arco-íris, sorridente e cativante, que veio enriquecer ainda mais as nossas vidas.

Recebeste o sacramento do batismo, uma benção divina que irá iluminar o teu caminho, as tuas decisões e a tua vida.

Foi com o coração apertado, e um enorme orgulho, que assistimos a tão importante momento da tua vida, comemorado em família e amigos, numa festa cheia de luz, cor e muito amor.

Esta é uma memória que será guardada no “cofre” dos momentos especiais e fará parte das histórias que te vamos contar mais tarde.

Que bom ter-te nas nossas vidas, Francisco….

(Manuela Resendes)

Na passagem do tempo…

Sinto o cheiro da terra lavrada onde germina a semente do tempo, num ciclo infinito onde aos dias se sucedem as noites.

O sol debruça-se sobre a planície, num jogo de luzes e sombras, aquecendo a pedra fria, testemunha de tantos segredos.

Mas faço a viagem sem medir a passagem do tempo, não sou de hoje nem de ontem, porque só me sinto inteira onde não me impõem limites. Perco-me por caminhos invisíveis, como as estrelas no céu da liberdade e sigo leve como o voo do pássaro.

Caminho descalça na areia, para deixar pegadas de momentos felizes e subtis angústias, numa soma de histórias que fazem as nossas memórias.

Guardo comigo todos os instantes onde as paisagens eloquentes se estendem na distância, à luz de um doce entardecer, percorridas como as nuvens no céu, sem tempo, nem amarras.

Porque o tempo não são as horas contadas e os dias medidos, é sim a vida a acontecer, com os mistérios e evidências na sua infinita sabedoria.

(Manuela Resendes)

Aconchego…

Todos nós temos um sítio que nos aconchega, nos cura e nos transmite uma paz reveladora que emerge do nosso íntimo.

Vivemos num certo sobressalto, pelos acontecimentos de um mundo que “tritura” inocentes em guerras, pela violência gratuita e pobreza extrema, deixando-nos vulneráveis e com sentimentos de desamparo.

Mas para nos protegermos da dor não nos devemos refugiar em rotinas previsíveis e fechar no nosso pequeno mundo. Temos de fazer da nossa casa a varanda com vista para além de nós, e confrontarmo-nos com a realidade numa perspetiva transformadora.

Porque é nos momentos de crepúsculo, de desafio e desesperança que nos revelamos. Recorrendo às nossas ferramentas espirituais, renegar a uma existência sonâmbula carente de sentido, abrindo o coração na procura de um oásis de alegria para mitigar a nossa dor.

Devemos dizer “presente” à vida com entusiasmo e motivação, para nos alavancar até ao sítio das visões claras, não nos entregando ao desânimo, remoendo mágoas e ressentimentos. Na maior parte das vezes apenas precisamos de um outro olhar, para o mesmo caminho, retirar automatismos ao quotidiano e permitirmo-nos saborear a gratuitidade da nossa existência.

Quantas vezes a felicidade está onde nunca a procuramos…

(Manuela Resendes)

Brisa outonal

Os dias já não se estendem em longas tardes de brisa suave e morna, lembrando-nos que o Verão está prestes a acabar. O tempo incerto e o sol tímido, que aparece para logo se esconder por baixo das nuvens, é prenúncio de que os dias sem horas, descontraídos, e com a pressa estacionada numa qualquer praia, vão ficando para trás.

Mas este é o eterno ciclo da natureza, da mutabilidade das coisas que vamos absorvendo com a passagem de uma aragem carregada de liberdade.

As cores vão desmaiando e adquirindo novas tonalidades, mais quentes e temperadas de utopia, de uma espera com portas abertas para o horizonte.

Mas é no silêncio das tardes de Outono, que agasalho a alma com poesia ao som de melodias suaves, para que possa albergar em mim todas as cores e todos os sentimentos, reinventando-me, mas sempre na procura de azuis suaves.

Mas como num olhar atento tudo tem uma beleza peculiar, fico extasiada a ver os tapetes de folhas secas que se estendem à minha passagem…

(Manuela Resendes)

Silêncios que falam…

O silêncio é quase imperturbável!

Ouço apenas o rasgar do vento e os pássaros a cantar mas, ao invés de me apaziguar, esta aparente serenidade remete-me para as minhas vozes interiores.

Ecoam em mim os gritos do mundo, o choro de fome das crianças, o desespero de mães em salvarem os seus filhos e o medo da morte que leva a atos tresloucados.

Vejo imagens de inocentes a morrer numa total desvalorização pela vida, violência gratuita em nome de deuses evocados em vão, fazendo desaguar o desespero em becos sem saída.

Ouço gritos de revolta de sonhos de uma vida desfeitos por uma bala perdida, dores que não têm analgesia que as cure, injustiças que não vêm uma fresta de luz.

Sinto-me impotente mas inquieta e incomodada perante esta avalanche de violência, opressão e injustiça de que o mundo padece, para além de doenças, invejas e egoísmos odiosos.

É então que abro a minha janela e o espetáculo da natureza devolve-me uma nesga de esperança, regeneradora, porque me faz acreditar que gota a gota, com os nossos pequenos contributos, possamos contribuir para mitigar as dores do mundo, não nos escudando na nossa pequenez perante a grandiosidade dos problemas.

As dores que não vemos ou sentimos não deixam de existir…

(Manuela Resendes)

Fim de agosto

O vento já faz voar as folhas secas caídas no chão, pressentindo-se nesta mutação da natureza a aproximação do final do verão.

Os fins de tarde com cheiro a amoras, o doce dos figos acabados de apanhar e a frescura das uvas, degustadas sob uma luminosidade perfeita, faz amadurecer desejos antigos.

Gosto de sol manso e luar intenso, na companhia de um bom livro e ao som de boa música, proporcionando viagens sem mapa, seguindo o rasto de um fio azul.

É neste embalo que sou transportada a memórias de infância, o brinquedo preferido, os amigos reais e imaginários bem como aventuras e sonhos pintados com as cores do arco-íris.

As corridas no trigal e o pisar do restolho remetem-me para ausências consentidas em momentos levados pelo vento, que se eternizam na poesia.

Sou muitas vezes previsível e outras tantas surpresa, nesta sede infinita de procura de respostas, mesmo que me leve ao que nem ouso compreender.

Mas é no aconchego de um abraço prolongado, na gargalhada genuína e por vezes no silêncio, que melhor me regenero das mágoas do mundo. Também sei que há sempre um raio de sol que atravessa as nuvens escuras e os dias que são mais noite do que as noites, desde que saibamos revestir o nosso tempo de Amor e o saibamos oferecer ao mundo.

(Manuela Resendes)

Aniversário Saudeacores.com

E já lá vão 5 anos…

Muitas horas, muito empenho, muito prazer e sempre a mesma vontade de fazer mais e melhor, num percurso nem sempre linear, mas em que os ensinamentos sempre compensaram e permitem fazer um balanço extremamente positivo.

O blogue nasceu da minha necessidade de acolher novos desafios, explorar novas áreas e adquirir novos conhecimentos, partilhando sempre conteúdos que considero adequados…

Quero assim deixar o meu agradecimento muito sentido, a todos os que com gestos ou palavras me inspiram, motivam e elogiam, funcionando como “catalisador” nos dias mais sombrios em que nos falta ânimo.

Que venham mais cinco, com novas conquistas, que possam corresponder às minhas e sobretudo às vossas expectativas.

Um bem haja a todos vós!!!

(Manuela Resendes)

Tia-avó…

E chegou a Júlia…

O nome Júlia deriva do latim e significa “brilho”, e foi sem dúvida, neste verão mais sombrio, o nosso sol mais radioso.

A tua expressão serena dá-nos a tranquilidade e a esperança de um futuro risonho, de mão dada com o Guilherme, que será o teu primeiro ídolo.

A tua pele rosada e suave, perfumada de vida, e o tudo delicado que há em ti, lembra-nos o cuidado com que cada criança tem de ser acolhida, no respeito por todas as suas peculiaridades, traços de personalidade e vontade própria, que vamos reconhecendo ao longo do tempo.

Este sentir de vida a despontar com tanta verdade, inocência e potencial chega a ser comovente, num mundo tão “feroz”, mas cá estaremos para te dar as necessárias ferramentas e amparar sempre que as dificuldades surgirem.

É todo um novo mundo de aventuras e emoções para somar e dividir com o irmão Guilherme e os primos José e Francisco.

Bem-Vinda Júlia

(Manuela Resendes)

Trilho Mata do Canário/Sete Cidades

Este trilho teve todos os” ingredientes” de uma caminhada feita nos Açores. Começou com nevoeiro, aguaceiros fracos e depois sol, tudo esquecido quando nos deparávamos com as deslumbrantes panorâmicas do percurso.

É um trilho relativamente exigente, com subidas e descidas muito íngremes ao longo de um percurso relativamente extenso, mas com vista para o Paraíso.

Inicia-se no” Muro das Nove Janelas”, que é um aqueduto de pedra que servia outrora para abastecer de água os fontanários públicos da cidade de Ponta Delgada. O percurso faz-se ao longo da Cumeeira da Lagoa Azul, com as paisagens deslumbrantes das Sete Cidades sempre connosco.

Com a possibilidade de apreciar também várias espécies endêmicas ao longo do percurso, o trilho termina com a chegada ao centro da freguesia das Sete Cidades.

Para quem gosta de fazer trilhos é a não perder!!!

(Manuela Resendes)