Eco do vento…

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Ouço a batida da chuva lá fora

O rodopio do vento a dançar

ondas que da praia vão embora

Embalam a criança,  a chorar

 

Um sorriso, ilumina a noite

Num inverno sem tormento

O mar se ergue afoito

Lava de espuma,  sem lamento

 

Nos céus uma fúria incontida

Nuvens negras, descem os montes

Mensagem à muito pressentida

Na luz que rasga os horizontes

 

Sinto agora melancolia

Tocam os sinos da madrugada

No silêncio desta calmaria

Surge uma nova alvorada

 

Hoje, não sou noite nem sou dia

Quero apenas ser poesia!

(Manuela Resendes)

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Quotidiano…

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– Gosto de dias aconchegantes, que permitem o livre arbítrio à criatividade.

– Gosto de não ser nada, para ter espaço de sonhar ser tudo.

– Gosto de me desprender de rotinas, de tarefas que apenas garantem o existir, sem ideal nem beleza.

– Gosto do silêncio, da contemplação,  do nada,  como espaço de reflexão.

– Gosto de poesia, nas palavras e nos gestos, de desafios e conquistas, de viagens e regressos.

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– Gosto de pessoas genuínas, abraços sinceros, gargalhadas sonoras, de tudo o que é simples e belo.

– Gosto do inesperado, da surpresa do espanto, de explorar novos caminhos na busca do desconhecido.

– Gosto de ver o mar, as suas nuances de tonalidades, do seu marulhar, no vaivém das ondas, decalcando na areia a sua mensagem.

– Gosto do futuro como possibilidade, pergunta, indefinição e do passado como aprendizagem, interpretação e por vezes lição.

– Gosto da vida… porque gosto de viver!

(Manuela Resendes)

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A casa…

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A nossa casa encerra em si inúmeras histórias de vida, sendo um castelo de silêncios que falam e de lutas mudas de dor, mas também espaço de intimidade,  de expectativas e de sonhos, onde nos é possível fazer o exercício de aceitação das nossas limitações e vulnerabilidades e acomodar o nosso reduto de pequenas virtudes.

É onde nos protegemos de um mundo agreste, de um quotidiano inerte que nos sequestra em caminhos desertificados.

É  nesse espaço protegido que alimentamos o nosso ser de puros gestos, de sentimentos genuínos e de olhares transparentes, permitindo-nos uma visão mais inspiradora e colorida do mundo.

Viajar permite o acesso ao mundo, a novas culturas, ao enriquecimento pessoal pelas experiências vividas, amizades conquistadas, pelo confronto com o inesperado e espanto com o singular, mas é com um redobrado prazer que volto a casa, ao cheiro dos lençóis lavados, à  luz do fim de tarde a entrar pela minha janela, sentir a familiaridade com cada espaço  e com cada objecto, onde na sua imutabilidade perduram tantas memórias.

Gosto de ambientes harmoniosos onde ecoam gargalhadas, onde se pressente alegria,onde se valoriza a generosidade, a coragem, a humildade e se almejam vivências felizes  plenas de sentido, capazes de lançar a semente da transmutação para uma sociedade mais humanizada e com melhores índices de satisfação.

A minha casa é o meu oásis de paz e nela cabe todo o universo!

(Manuela Resendes)

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Primavera…

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Chegaste resplandecente

Metamorfose já anunciada

És de todas a mais venerada

Tudo em ti é consistente

Doce aurora, sol ainda morno

Renasce contigo a esperança

Melodias que anunciam a mudança

Horizonte desenhado sem contorno

Lavas os olhos ainda nublados

Acordas estevas adormecidas

Que surgem agora coloridas

Fazendo esquecer  dias gelados

Nas asas de uma qualquer ave

Voam sonhos e novos alentos

Ao vento soltam-se pensamentos

E brotam flores num enclave

Num mundo de hipocrisia

Surgem reflexos de azul etéreo

Destino ausente, pensamento aéreo

Disfarçam,  inusitada cobardia

E no meio de tantos fulgores

Volta o filho, que um dia partiu

A promessa assim se cumpriu

Fazendo despertar grandes Amores

(Manuela Resendes)

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