Sábado de Aleluia…

Todos nós sonhamos com a possibilidade de viver novas experiências, conhecer novos sítios e experienciar novas formas de vida…

Mas este é o tempo de renascer, qual fénix, das derrotas da vida, das perdas irreparáveis e dos caminhos sombrios.

Acordar a cada manhã com o perfume da esperança, ressurgir inteira a cada sonho desfeito e ser ágil no voo que permite transpor obstáculos.

Aceitar a transmutação da vida, que não é imune ao tempo e às memórias, mas perceber que a vida se multiplica, numa aventura fecunda, que tem de ser acolhida com espírito livre mantendo a nossa irredutível individualidade.

E este Sábado de Aleluia, repleto de significado, pode constituir a alavanca que permita abrir a porta, para um mundo reconfigurado onde nos possamos sentir mais plenos.

Assim o futuro encontrará o espaço de expressão dos nossos desejos e da nossa Fé!

(Manuela Resendes)

Semana Santa…

O dia está cinzento e chuvoso, num cenário a preto e branco que convida ao recolhimento e à reflexão.

Gosto destes despertares numa solidão consentida, no meu lugar de pausa, num vazio que se enche de plenitude, onde apenas escuto o meu pensamento. São portas que se abrem para tempos interiores, onde busco o essencial na sombra do acessório.

Afasto-me da aceleração do mundo, do massacre das notícias diárias e do barulho do quotidiano, para aos poucos, e de forma silenciosa, aproximar-me de mim própria.

Estes momentos exercem em mim um fascínio e permitem elevar-me a um outro patamar de conhecimento, que se revela libertador.

E é neste escutar de silêncios, que emergem das profundezas da terra, que vou encontrando “instrumentos” para lidar com os enigmas e com as evidências da vida, não permitindo que a estranheza destes tempos me roube a esperança.

Porque o desabrigo também pode fortalecer a nossa aliança com a vida…

(Manuela Resendes)

Abril…

Abril, mês de sol, chuva e cheiro a terra fresca. Os campos estão floridos, perfumados, onde também proliferam ervas irreverentes.

As tardes lentas e suaves são palco de muitas vontades, e as auroras, revestidas de orvalhos levados pelo vento, deixam um rasto de vitalidade donde germinam sementes e poemas.

As marés, agora mais ordeiras e com um ritmo melodioso, abraçam longas escarpas e praias ainda desertas.

O colorido destes dias, assoma à minha janela, convidando a um brinde à liberdade, mas cá dentro ouço o estrondo da guerra, de muros destruídos que se levantam.

No meio do pó, também se respira medo, opressão e tristeza. Ecos subterrâneos de notas dissonantes, rostos envelhecidos pelo futuro roubado e pelas marcas das lágrimas que já secaram…

Sonho com a alvorada que “rasgue” as trevas dos olhares e que paulatinamente se comece a vislumbrar o céu.

Que abril nos traga a Paz e a Liberdade!!!

(Manuela Resendes)

Bem-vindo Jaime

Chegou o Jaime…

Precisávamos de um grito de paz

E ecoou o teu choro

Precisávamos de um raio de sol

E foste luz, numa aurora sombria

Precisávamos de um novo alento

E trouxeste a magia da alegria

Precisávamos de ver germinar esperança

E tu és promessa e futuro

Precisávamos colorir a primavera

E tu és um bebé arco-íris

Precisávamos de boas emoções

E tu és amor em estado puro

Precisávamos de abrigo para tempestades

E os teus olhos são o farol

Foste uma dádiva dos deuses, e chegaste,

Quando o Mundo precisava de ti, Jaime

(Manuela Resendes)

Dia Internacional da Mulher

Enquanto houver em alguma parte do mundo mulheres que vivem privadas de liberdade por razões religiosas e/ou culturais, silenciadas e desrespeitadas…

Enquanto houver mulheres que vivem com o medo estampado no olhar por serem vitimas de violência física e psicológica…

Enquanto houver discriminação das mulheres nos locais de trabalho, tanto a nível salarial, como no acesso a cargos de chefia…

Enquanto se justificar haver um mero dia no calendário para trazer à ordem do dia estas e outras questões relacionadas com desigualdades de género, este será sempre mais um dia para refletir.

Hoje deixo a minha sentida homenagem às mulheres refugiadas de guerra, que tudo deixam para trás, ou arriscam ficar, para salvarem ou permanecerem com os seus filhos.

E sonho com o dia em que não se justifique existir este dia, por estarem assegurados os mesmos direitos e o respeito pela diferença.

(Manuela Resendes)

Avessos…

Existem dias em que os silêncios nascem de palavras que acordam já fatigadas. Os vazios multiplicam-se e ficam repletos de sombras que não são filhas da luz.

Os dias adormecem antes da noite, numa inércia que se faz de um movimento sem fim, num cansaço sonolento de rotinas banais.

Na casa pequena, em que do telhado se faz chão, são os sonhos que a ampliam até nela caber o universo.

O vento que bate na janela não vem acompanhado de tempestade mas sim de calmaria. O sol entra quando é já poente e a visão do vizinho do lado está para além do horizonte.

Os dias estão vestidos do avesso, pretendendo a dignidade que injustiça não confere. As guerras fazem-se não para matar a fome, mas para auferir mais riqueza.

As lágrimas são disfarçadas de sorrisos, a tristeza tapada com máscara e a dor anestesiada com químicos, porque o mundo é dos “fortes”.

Só um trapezista de almas, com saltos vistosos e arriscados, poderá virar novamente tudo ao contrário!

(Manuela Resendes)

Sem roteiro…

Caminho por entre pedras negras, bafejada por uma brisa fresca e reparo na onda que se demora no encontro com a rocha, numa ternura amarrotada.

As palavras são sufocadas por um falso silêncio, e ao longe avisto um barco que passa alheio à minha presença.

Neste transbordar de infinito, mergulho nas memórias, que tal como as ondas se quebram ou abraçam a enseada me remetem para novas vontades. Estas verdades exiladas, pelo correr do tempo, são suavizadas por palavras luminosas que bradam por acolhimento.

Vou vendo a vida ao longe, a partir deste grão de rocha que o vento vai desgastando como os pensamentos se vão desvanecendo.

E no limite da praia, descubro esconderijos disfarçados para melhor ouvir a voz do mar, perene como o interminável movimento das ondas.

Na conquista desta paz harmoniosa, sinto-me caminhar no Olimpo, na sombra dos Deuses!

(Manuela Resendes)

Dia Mundial da Rádio

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Rádio, tendo esta data sido escolhida por ter sido a 13 de fevereiro de 1946 que a United Nations Radio, emitiu pela primeira vez. Contudo, só em 2011 a UNESCO declarou o Dia Mundial da Rádio, que se comemorou pela primeira vez em 2012.

A rádio acompanhou os principais acontecimentos históricos mundiais, continuando a ser um dos meios de comunicação social mais fiável e acessível em todo o mundo.

Aproveito a efeméride para agradecer a oportunidade que me foi dada pela Rádio Atlântida, na pessoa do seu Diretor, para ter uma crónica semanal intitulada “Alquimia das Palavras”. Esta rubrica pode ser ouvida às terças-feiras e quintas-feiras na Rádio Atlântida, pelas 18h30m (hora dos Açores), e às quartas-feiras e sextas-feiras na R80, às 8h30m (hora dos Acores).

Parabéns a todos os profissionais da rádio!

(Manuela Resendes)

Horizonte…

Abro a janela do tempo e avisto o horizonte, que surge na minha retina como um enigma opaco. Em manhãs claras, descortino ilusões desenhadas nos recortes das sombras e invento pontes para a realidade, em tardes de céu ao rubro.

Perscruto a coreografia da dança das nuvens, carreadas pelo vento a uma distância imprecisa em harmoniosos movimentos num espetáculo irrepetível.

É nesta visão da liberdade que os sonhos vão faiscando, e através da sensibilidade do olhar o poema se escreve.

As velas brancas agitam-se ao vento, onde incide uma luz que tudo reveste, feita de estrelas cintilantes e de uma lua como um espelho.

Ganho assim asas de Condor que me permitem ir mais além, derrubando muros e desvendando mistérios manifestos.

Vou assim seguindo o fio da vida até ao infinito, porque o horizonte norteia mas nunca se deixa alcançar.

(Manuela Resendes)