Vamos para a escola…

Hoje foi o dia de regressar às aulas para muitas crianças, numa rotina que apesar da mudança dos tempos tem sempre o perfume do Outono.

Recordo que na minha infância sonhava com este dia, com alegria e expetativa. As semanas que antecediam o regresso às aulas eram de preparação de todo o material para o novo ano letivo. Os cadernos eram forrados, os lápis bem afiados e tudo o que pudesse ser reciclado era, não sem emprestar o brilho do novo. Até a roupa era preparada com todo o cuidado, e estabelecida uma fronteira com a que se usava em casa…

Era o fim das “férias grandes”, que como o próprio nome indica de tão extensas se tornavam aborrecidas e pareciam simplesmente não terem fim. Instalava-se um certo tédio nos dias que corriam sempre iguais, e a aventura de novas aprendizagens era muito apetecível.

Atualmente tudo é diferente: as férias já não são “grandes” porque nunca se chega ao tédio, na medida que o tempo está sempre preenchido com múltiplas atividades e experiências, numa fuga à rotina, que parece revelar medo do ócio e do pensamento criativo que só o espaço livre proporciona.

Mas esse espaço em branco é o que permite criar, inventar, sonhar e sentir a alegria da descoberta de novos mundos.

Votos de um excelente ano letivo para todos!

(Manuela Resendes)

Acolher a novidade

E chegou ao fim agosto, mês por excelência do sol tatuado na pele, das emoções fortes, dos encontros e reencontros.

Agora é tempo de beber o orvalho de pétalas a desabrochar, com a luz límpida das manhãs em fundo.

É o momento de dar liberdade às “borboletas “que nos habitam, para que possam desafiar os horizontes, e desapegarmo-nos de tudo o que nos impede de dar o salto para o síitio onde habitam os recomeços.

Vamos transformar cada falso fim, cada momento áspero ou as rotas incertas em noites que embalam a lua para novos anseios.

Os dias sombrios serão iluminados pelas estrelas que irão desvendar caminhos desconhecidos para onde se verá a tocha da liberdade.

Deixar que o sol irradie pedaços de vida e deles faça nascer poesia em que as perspetivas se refaçam.

E lentamente a alma vai despertando e caminhando para um destino de Paz!

(Manuela Resendes)

Entrevista na Rádio Atlântida sobre o meu livro “Anatomia do Quotidiano”

Um grande gosto ter sido entrevistada na Rádio Atlântida sobre o lançamento do meu livro “Anatomia do Quotidiano”.

Agradeço à jornalista Margarida Portela a e a toda a equipa pela receção calorosa.

Aqui fica o ficheiro áudio da entrevista..

O livro pode ser adquirido na ilha de Santa Maria na tabacaria do aeroporto. Em São Miguel pode encontrar-se na Livraria Letras Lavadas (Largo da Matriz, 69 R/C – Ponta Delgada) ou online (https://www.letraslavadas.pt/)

(Manuela Resendes)

Aniversário “saudeacores”

E seis anos depois da primeira publicação :

  • 888 textos publicados;
  • 47 000 visitantes;
  • 115 000 visualizações;
  • 3 000 seguidores;
  • Um livro a ser lançado no dia 14 de agosto.

Um percurso prazeroso, e do qual me orgulho, mas sem o vosso contributo tal não teria sido possível.

Se segue o blogue faça gosto, para chegar aos 5000 seguidores e poder abraçar novos projetos, porque “juntos somos mais fortes”.

Obrigada!!!

(Manuela Resendes)

Dias sem estação

Procuro a essência do meu tempo entre as brumas dispersas e as chuvas brandas.

Nas nuvens escrevo palavras que são ecos de vida, de sonhos e noites de céu estrelado, de viagens e luas de presságios .

Com o direito e o seu avesso desenho paisagens sem limites onde invento eternidades, rompendo o azul infinito da mar.

Sinto o cheiro das águas que passam com pressa nos riachos, nas ondas que morrem na praia e nas que brotam límpidas de nascentes escondidas.

O vento passa por mim sem me alcançar, de tão imersa que estou em lembranças distantes.

E sem pensar se é Verão ou Outono, Primavera ou Inverno, as palavras vão-se enchendo de realidade dando sentido ao meu sentir!

(Manuela Resendes)

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Ser português é ter um orgulho envergonhado no nosso país, em que apesar de constantemente dizermos que “Portugal nunca vai chegar a lado nenhum” ficamos com os olhos marejados quando ouvimos o hino nacional.

Ser português é não ser organizado, mas sermos os melhores a improvisar, a inventar e desenrascar caminhos alternativos e improváveis.

Ser português é emigrar por necessidade, mas levar com orgulho aos quatro cantos do mundo as nossas tradições, gastronomia e cultura.

Ser português é ter inveja do sucesso alheio, proporcional à sua proximidade, corroborando o ditado de que “santos de casa não fazem milagres”.

Ser português é ser grande e pequeno, o melhor e o pior, numa bipolaridade que nos é tão característica.

Ser português é ser dos europeus mais pobres, mas dos mais solidários.

Ser português é viver num país de grandes desigualdades, mas em que o parecer vale mais do que ser e as dificuldades são disfarçadas pelas aparências.

Ser português é não ser pontual, nem cumprir prazos, porque somos sempre os mais atarefados apesar de sermos dos menos produtivos.

Ser português é ter o melhor do mundo do futebol que nos apaixona, e mesmo assim só gostamos dele a espaços, mas se um estrangeiro o critica não toleramos e logo nos unimos em sua defesa.

Ser português é ser nostálgico, saber o que significa a palavra saudade e ter alma de poeta.

Ser português é ser do mundo, sempre sonhando com Portugal!

(Manuela Resendes)