Feriado…

Hoje é feriado…

Quero apenas poder pensar, sem desejos ou convicções, sentindo as várias tonalidades do dia e captando as que me provocam uma maior serenidade.

Não quero medir a velocidade de nada, nem cronometrar o tempo, deixando que este passe por mim de forma escorreita e sem sobressaltos.

Vou deixar as palavras ecoarem em mim, rasgando os silêncios dos meus olhares fascinados a captar o que existe em vazios profundos.

Carrego em mim tantas memórias, de um tempo que não é de hoje nem de ontem, e que existe na sombra da luz que me ilumina.

E porque a minha maior capacidade é a de sentir, quando a luz orvalhada da madrugada surge já reflete em espelho o que me vai na alma, coberta por véus transparentes.

E o tempo escorregadio vai-se sumindo e vai descendo o crepúsculo, fazendo nascer em mim uma nostalgia de não conseguir escrever uma história.

Amanhã terei uma nova oportunidade…

(Manuela Resendes)

Chegadas e partidas…

A vida ocorre entre chegadas e partidas, planos e acasos, encontros e desencontros…

E é neste fluir de emoções que vamos trilhando o caminho entre madrugadas hesitantes e memórias graníticas. Neste balanço entre perdas e ganhos, encontros improváveis e reencontros esperados, vamos sendo iluminados pela inexorável luz da alegria, que dissipa a neblina das partidas.

Somos assim abrigo dos nossos próprios cansaços, acreditando em regressos numa nuvem apressada, numa onda bem esculpida ou numa rajada de vento de norte.

E se a saudade aperta, peço ao mar para me levar em vez de me ancorar.

Encontro assim novamente a paz que tanto persigo…

(Manuela Resendes)

Vida…

Em silêncio vejo passar o mundo

Em vastos e distantes horizontes

Brumas que sobem aos montes

Captam meu olhar mais profundo

Vejo gente que de tanto sofrer

Sem voz, abandona a esperança

Na espuma vou colher a mudança

E já renovada a quero devolver

Alheia a primaveras sombrias

Pressinto já novas alegrias

De palavras gastas, faço um poema

E despertei com vontade infinita

De apagar o fogo que ainda crepita

E de Paz e Justiça fazer o nosso lema

(Manuela Resendes)

Que mundo é este?

Por vezes não sei lidar…

Não sei lidar com a violência, com a guerra, com a morte de inocentes em nome de um qualquer credo ou de um pedaço de território.

Não sei lidar com as exploração dos pobres e desvalidos, em que tudo lhes é retirado a começar pela sua dignidade.

Não sei lidar com o abandono a pessoas vulneráveis, com a falta de empatia e solidariedade em nome de um egoísmo feroz.

Não sei lidar com o tanto que no mundo me incomoda e o tanto que sinto que me transborda.

Mas ainda assim sou sonhadora, ancorada nos valores que vou vendo desmoronar e mantendo uma inocente esperança de que pequenos contributos poderão fazer germinar necessárias mudanças.

Vou refazendo os sonhos para que sejam tangíveis, e busco na natureza a serenidade e energia para os combates fatigantes.

Não me sinto perdida, mas desencontrada por teimar em carregar comigo objetivos exigentes, seguindo o rumo traçado pela minha consciência cívica e emocional.

E vou reinventando a vida, procurando na poesia conforto para as situações dolorosas e fazendo da saudade o trampolim que dá o impulso, rumo a um futuro esperançoso. E neste voo sem asas, mas pleno de intenção, recomeço com a força de quem nunca deixou de acreditar!!!

(Manuela Resendes)

“Azuis”

Estes despertares azuis, radiosos e com borboletas coloridas em voo, são prenúncio de dias de sossego.

Esta luz do amanhecer clareia cada pensamento escuro e permite descansar o olhar em horizontes longínquos, que ficam plasmados na retina límpida.

O mundo, agora já um pouco mais vasto, depois de quebrados alguns muros, já permite matar a sede infinita de liberdade. Agora é preciso recriar a vida, que se foi tornando mesquinha e sonolenta, acreditar na humanidade e na ciência, superar as angústias e fazer brotar poesia de palavras sombrias e inertes.

Carrego em mim todos os caminhos que percorri para alcançar azuis distantes, seguindo o sol que me foi servindo de clarabóia do futuro.

Mas quando os dias se enchem de vazios é nos lugares secretos da minha infância que procuro o colo que me embala e me dá o necessário impulso para novas travessias.

Por vezes é preciso dar um passo atrás, para ganhar o impulso para o salto…

(Manuela Resendes)

Cansaços…

Sinto em mim um estranho cansaço, que nāo sei se é angústia da alma ou os limites do corpo. Há uma ausência de mim, neste viver rodeada de exiguidade.

O meu olhar vai-se esvaziando na exaustão dos dias, nesta busca constante de transcendências, inventando um chão infinito para tocar as distâncias.

Acordo todos os dias, na esperança de boas marés que permitam fazer-me à viagem, na esperança de avistar novos azuis que me devolvam o brilho no olhar.

Esta inquietude, de olhar o Mundo desequilibrado e desequilibrador, num silêncio perturbador que faz um eco fascinado por palavras, tira-me a Paz.

Mas ao abrir todas as cortinas e deixar entrar a luz do Sol, em todas as minhas janelas, afastei a escuridão que me suga a energia e me rouba a alegria dos amanheceres. Começo então a sonhar que o calor que sinto, dos raios solares que me inundam, serão capazes de destruir o ódio, a violência e a injustiça, e volto a ter esperança na Humanidade.

Talvez seja utopia, ou a minha inabilidade para lidar com esperas inúteis…

(Manuela Resendes)

Mães…

As Mães “nascem” com os filhos, mas são eternas…

São coragem e medo, força e delicadeza, e a personificação do Amor incondicional. Vivem em permanente estado de alerta, sempre presentes mesmo que de forma invisível.

O seu colo é a maior fortaleza, âncora que não estremece e abrigo para as tempestades da vida. Vivem entre a inquietude e o contentamento, numa prisão feita de Amor e Liberdade.

Feliz Dia a todas as Mães (de sangue ou de coração).

(Manuela Resendes)

Não é uma dádiva, conquista-se…

Vou conquistando a minha liberdade, seguindo devagar e apreciando as coisas simples, pensando sem a pressa dos cansaços e acolhendo a novidade.

Com gestos delicados vou abrindo as nuvens para me abrigar ao luar, protegendo-me assim de egoísmos e hipocrisias que toldam a claridade dos dias.

E com um toque de magia vou alcançando o outro, provocando fecundas emoções e deixando impressa a marca do Amor, motor de todas as transformações.

Vou assim calcorreando velhos caminhos, trilhados sob densos nevoeiros com uma brisa suave, perfumada de giestas em flor, donde ecoam vozes nostálgicas. Voam assim palavras silenciadas por poderes obscuros e injustiças disfarçadas de bom senso, para horizontes de ausência.

Ao longo da viagem, vou ganhando a leveza das nuvens e a alegria do Sol, numa sabedoria feita de vida em que apesar do medo escolho a ousadia.

E quando preciso de me regenerar, volto à inocência dos dias em que refrescava a vida bebendo a água da nascente, pura e cristalina, numa folha de jarro, e caminhando por dentro da sombra.

Volto assim à conquista de uma vida mais plena…

(Manuela Resendes)

Aniversário sombrio…

Ontem só te dei os Parabéns, mas nāo consegui escrever…

Mais um aniversário sem te ter, sem te ouvir e sem te sentir. Mas carrego esta solidão agora de uma forma apaziguada sentindo-te tantas vezes perto e outras tantas longe, talvez quando alcanças as estrelas que eu não consigo tocar.

Mas o Amor preenche toda essa imensidão, mesmo quando todos os sons são calados, todas as luzes são apagadas, brota do frio o conforto das boas memórias.

Olho as estrelas e vejo os teus olhos luminosos, como campos verdejantes iluminados pelo sol da primavera, com sombras de águas profundas.

Mesmo nos dias em que a escuridão espreitava, o teu olhar não deixava de ser intenso e sedutor, tendo ficado plasmado na minha memória e na minha retina.

Depois de ter feito uma travessia no vazio, encontrei novamente palavras coloridas e leves que são transportadas pelo vento e alcançam o céu.

E quando esta luz nos visita e vemos uma pequena nascente de esperança é a véspera de encontrar a Paz, com a certeza de que vais sempre alumiar os meus caminhos, inspirar os meus sonhos e ser esteio das minhas decisões.

Serás o meu eterno Anjo da Guarda…

(Manuela Resendes)