
Os sonhos são interrompidos pelo som do despertador, na manhã escura, em que os gestos se repetem com o automatismo de quem os sabe de cor.
Ouço os pingos da chuva a cair do beiral, o tilintar de fechaduras que se abrem e os passos na calçada, onde segredos dissimulados nas pedras antigas são desvendados pelos olhares opacos.
Corro atrás do vento, para apanhar a fantasia que preenche o espaço deixado por dias caóticos, em que os horizontes coloridos são engolidos pelos predadores da vida.
Ouço a música silenciosa das flores, para ocultar o som de ardilosas palavras alheias, e é com a poesia que alumio os meus dias nublados, transformando-me em acrobata do tempo e do espaço, mesmo quando a crueza do mundo atravessa a janela da minha alma, pronta a aniquilar a minha reserva de esperança.
Junto então todos os meus “eus” e, ao escrever o futuro que por instantes pensei ter desaparecido, volto a voar, porque “o poema ensina a cair” e a poesia salva!!!
(Manuela Resendes)

Esta linguagem, proso/poética, enche-me as medidas!
Que maravilha!
Adorei…
beijinho
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