O tempo que o tempo tem

Cada vez paramos menos, pensamos menos e desfrutamos menos do tanto que temos. A nossa energia some-se entre rotinas banais, como a luz do entardecer se desvanece até ser noite.

Nem nos concedemos a oportunidade para descodificar o que nos vai na alma, não dando espaço para que a vida alcance a esperança.

Vivemos rodeados de mar, mas não ouvimos a música das ondas, ora em ritmos suaves ou mais agrestes, onde nos agasalhamos dos ventos, com a ternura das emoções que carregamos.

O nosso contador do tempo tem um ritmo próprio, dependente dos labirintos temporários que habitamos, dos paraísos que por vezes visitamos e das memórias que carregamos. E temos de aprender a aceitar que tudo é passageiro e mutável como o movimento das nuvens no céu e os recursos para gerir os sobressaltos da vida têm de nos ser intrínsecos.

A maior sapiência que a vida nos pode dar é perceber que podemos encontrar “quase tudo” em “quase nada” se soubermos olhar para o que está debaixo dos nossos olhos, sem estarmos condicionados pelos gestos repetitivos que quotidianamente fazemos, e que tornam invisíveis tanto do que olhamos.

É conseguir escapar à tentação de tergiversar sobre aquilo que não somos, não fazemos ou não encontramos, fugindo da nossa própria responsabilidade.

O mundo não está um sitio fácil, mas cabe a cada um de nós contribuir para que o deixemos, pelo menos, um pouco melhor!!!

(Manuela Resendes)

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