
Fui deixando de escutar as diferentes vozes, os silêncios e os ecos.
Fui lendo as emoções nos rostos, as palavras que caíam ao chão e o mundo.
Nessa falsa quietude, abro as portas de todas as lembranças, olhando o céu que apesar de estrelado me pareceu enevoado. Foi tão avassalador que tive de inventar esquecimentos.
Agasalhei o frio da tristeza, com o lenço colorido que em outros dias me alegrou o rosto.
A solidão entrou pela minha janela, donde saíam os ruídos da noite escura, e fui-me afundando na procura das ondas da madrugada, que correm no muro do tempo.
E ao primeiro sobressalto de luz, plantei as sementes que darão as mais belas rosas.
Vou, assim, seguir esse sopro de vida, de onde irei sugar a energia que me permitirá renascer.

(Manuela Resendes)