
Passo no meio da multidão e sinto uma estranheza, uma solidão funda sem fundo, um reflexo de luz impura…
Ensaio então o meu resgate, permitindo-me saborear o infinito, descansar o olhar em azuis mar e sentir o aroma da esperança.
Fui de viagem ao passado, quando todo o tempo era meu e todos os sonhos eram possíveis, sonhados em catadupa e guardados num pedaço de lua.
Tantas vezes a vida foi adiada, numa espera de luz bruxuleante, que me permitisse ver, para além da cegueira do mundo. E agora olho os fantasmas que ocupam sombras frias, de ruelas onde ecoavam gargalhadas e que já foram passagens para o futuro.
A minha alma inquieta com as dores do mundo precisa de temperar os dias de lembranças felizes e palavras sonâmbulas, onde invento uma alegria suave donde brotem amanheceres de Paz.
Mas é na poesia que me regenero, em dias de ventos largos, levando-me ao cume da montanha onde avisto o infinito e fantasio a realidade, serenando assim a minha dor, porque “o poema ensina a cair”.
(Manuela Resendes)

Muito lindo e profundo! 👏
GostarGostar