Caminhos…

Caminho pela rua quase deserta e sinto uma brisa hostil imbuída de nostalgia.

Ouço, numa linguagem de segredos, palavras que se soltam da calçada, perturbando a minha paz e perseguindo a minha sombra.

Tento em vão decifrar o seu significado, porque apenas resta o eco do seu silêncio.

Cruzo-me com olhares disfarçados de risos, que provocam em mim uma sensação de estranheza e desconforto.

Neste vazio, de espaços infinitos povoados de muros de angústia, vou temperando as vicissitudes da vida, com uma bondosa esperança perfumada de futuro.

E neste tempo sem acostagens, olho os barcos que chegam e partem, carregados de lutas que intimidam e de emocionantes despedidas.

Mas esta luz vaga que rasga as nuvens, carrega fragmentos de vida com infinitas possibilidades de acolhermos a novidade do mundo.

E quando a fadiga começa a pesar, e a mente a silenciar, esta vivência da nossa própria vulnerabilidade é a alavanca que nos permite progredir para outras dimensões da vida, reinventando os alicerces do nosso equilíbrio.

E porque a vida é maior do que nós, o tempo que nos pertence, e o que fazemos dele, é o nosso mais importante legado.

(Manuela Resendes)

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