Procuro…

Procuro na chuva a transparência que clareie os tons mais escuros de que se reveste o mundo, iluminando mentes obscuras e perversas.

Procuro no vento a alegria levada pelo peso de certas palavras e de muitas espadas, acreditando na leveza do voo que capta a bondade dos anjos.

Procuro no horizonte um céu pincelado de azul, ao invés da luz impura que ilumina cidades bombardeadas, massacrando inocentes.

Procuro o ar puro das florestas onde se respira uma ternura cândida onde a alma se renova e os sonhos não sucumbem.

Procuro a navegação segura, nestes dias em que cedo colhemos a noite para encontrar os atalhos da luz nascente.

Procuro o espirito natalício, mas o que mais encontro são luzes coloridas a simular a alegria, palavras a imitar o silêncio e solidariedade em forma de caridade. E muito remoer da solidão no fundo do tempo onde se contam as horas lentas da espera.

Sinto ainda que as palavras que escrevo são seduzidas pelo silêncio, na esperança que algo de novo se revele.

(Manuela Resendes)

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