
Apesar de termos consciência da inevitabilidade da morte nunca estamos preparados para deixar partir aqueles que amamos. Continuar a ler

Apesar de termos consciência da inevitabilidade da morte nunca estamos preparados para deixar partir aqueles que amamos. Continuar a ler

A nossa casa encerra em si inúmeras histórias de vida, sendo um castelo de silêncios que falam e de lutas mudas de dor, mas também espaço de intimidade, de expectativas e de sonhos, onde nos é possível fazer o exercício de aceitação das nossas limitações e vulnerabilidades e acomodar o nosso reduto de pequenas virtudes.
É onde nos protegemos de um mundo agreste, de um quotidiano inerte que nos sequestra em caminhos desertificados.
É nesse espaço protegido que alimentamos o nosso ser de puros gestos, de sentimentos genuínos e de olhares transparentes, permitindo-nos uma visão mais inspiradora e colorida do mundo.
Viajar permite o acesso ao mundo, a novas culturas, ao enriquecimento pessoal pelas experiências vividas, amizades conquistadas, pelo confronto com o inesperado e espanto com o singular, mas é com um redobrado prazer que volto a casa, ao cheiro dos lençóis lavados, à luz do fim de tarde a entrar pela minha janela, sentir a familiaridade com cada espaço e com cada objecto, onde na sua imutabilidade perduram tantas memórias.
Gosto de ambientes harmoniosos onde ecoam gargalhadas, onde se pressente alegria,onde se valoriza a generosidade, a coragem, a humildade e se almejam vivências felizes plenas de sentido, capazes de lançar a semente da transmutação para uma sociedade mais humanizada e com melhores índices de satisfação.
A minha casa é o meu oásis de paz e nela cabe todo o universo!
(Manuela Resendes)


Chegaste resplandecente
Metamorfose já anunciada
És de todas a mais venerada
Tudo em ti é consistente
Doce aurora, sol ainda morno
Renasce contigo a esperança
Melodias que anunciam a mudança
Horizonte desenhado sem contorno
Lavas os olhos ainda nublados
Acordas estevas adormecidas
Que surgem agora coloridas
Fazendo esquecer dias gelados
Nas asas de uma qualquer ave
Voam sonhos e novos alentos
Ao vento soltam-se pensamentos
E brotam flores num enclave
Num mundo de hipocrisia
Surgem reflexos de azul etéreo
Destino ausente, pensamento aéreo
Disfarçam, inusitada cobardia
E no meio de tantos fulgores
Volta o filho, que um dia partiu
A promessa assim se cumpriu
Fazendo despertar grandes Amores
(Manuela Resendes)


A vida em ti se acomoda
O amor assim acontece
Atitude é o que incomoda
Quem mais dela carece
Cuidas com natural doçura
Sorris com o teu olhar
Mas logo mostras bravura
Se o destino te desafiar
O teu corpo é poesia
Mar a transbordar de emoção
O teu perfume é maresia
Fonte inesgotável de inspiração
És força que emerge da fragilidade
Razão feita de sentimento
Pele revestida de sensibilidade
Amor, num mundo dele sedento
Tua alegria é movimento
Luz de noite estrelada
Quando te assola o sofrimento
Soltas lágrima, pela calada
És mulher, és invencível
Lutas pelo que te pertence
Não há batalha impossível
Só a morte te vence
(Manuela Resendes)


Fui ver o mar bailar
mostrou-se indiferente
como sempre imponente
sem se deixar perturbar
Vi máscaras e fitas coloridas
fingimentos de alegria
numa qualquer fantasia
recordando saudosas partidas
Vi danças e batalhas
crianças vestidas de palhaços
disfarçam-se assim cansaços
com promessas de medalhas
Para o baile vão janotas
é tempo de divertir
de dançar e de rir
e mostrar as fatiotas
Ninguém leva a mal
importante é a folia
amanhã é outro dia
mas hoje é Carnaval
(Manuela Resendes)


Domingo, dia de paragem, de descanso, de deixar que o tempo preste, dando espaço ao recolhimento, dia de nos darmos aos outros, dia de viver a nossa interioridade no conforto da nossa casa, que assume a dimensão do universo, em que nos confrontamos com a nossa luz, com as nossas sombras, num tempo sem tempo. Continuar a ler

Como são frias as manhãs de Fevereiro… no entanto, há um encanto camuflado nestes dias, em que brota a esperança de que tudo germine, antecipando assim a alegria da Primavera. Continuar a ler

Sinto saudade profunda
Do abraço que é abrigo
Protege do mal do mundo
E traz a Paz que persigo
As ondas do mar, galguei
Em madrugadas silenciosas
O futuro, nos meus olhos sufoquei
Em lágrimas que brotam, luminosas
Canto odes de melancolia
Sinto o eco da saudade
Palavras carregadas de nostalgia
Rimas isentas de identidade
E para atenuar o tormento
Da presença consentida
Faço em cada momento
Da chegada uma despedida
Porque a saudade é a ausência
Olhar a vida à transparência!
(Manuela Resendes)


Aprendi que nem sempre o que queremos é que nos faz bem. Continuar a ler

No dia da partida
Nada levam, tudo fica
É só uma despedida
O mundo não se modifica
O sol nasce reluzente
A cidade denota pressa
O semáforo está intermitente
Chegar primeiro é que interessa
Tapam com flores, arrependimento
Do que não foi feito, nem dito
O que faltou de sentimento
Sobra agora em conflito
Amanhã e no outro dia
Por aprender, fica o essencial
É mais uma correria
Rumo ao que no mundo, vai mal!
(Manuela Resendes)
