Em Dia de São Valentim

O Amor, não tem dia nem hora

O tempo nele é uma constante

Onde cabe a eternidade e o instante

Na ambiguidade da presença e demora

É brisa refrescante no abraço

Voo de asa solta no azul do céu

Levantando assim as pontas de véu

Navegando nas ondas do espaço

A ver a luz do sol a desmaiar

E de novo a aurora a raiar

Entre o sonho, o sono e a realidade

E de tanto te compreender, sinto

A cor da dor e da alegria, por instinto

Sem amarras, presa no fio da liberdade

(Manuela Resendes)

“Conta sempre comigo”

Esta é uma frase que tantas vezes dizemos a amigos e familiares, e ouvimos outras tantas, mas que muitas vezes nāo se traduzem em atos, quando é verdadeiramente preciso estar presente.

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Doente, e se há situação em que ter um amigo por perto dá um conforto inexplicável é quando nos sentimos doentes. Quer pelas limitações físicas, que roubam autonomia, quer pela vulnerabilidade acolhida ou pela solidão sentida, o calor de um abraço solidário é o que permite encontrar as respostas sábias.

O “conta comigo” nāo pode corresponder a palavras vazias, de circunstância ou de cortesia; têm de ser sentidas, porque podem ser a luz em horas de abandono ou em noites que parecem nāo ter fim.

É estar quando a coragem dos dias antigos vacilar, e ajudar a encontrar o caminho onde a identidade se perdeu. É estar em silêncio, ou ouvir a musica preferida, encontrando o espaço certo para encaixar na necessidade do outro.

É deixar que o eco das palavras faça ressoar uma mensagem de coragem e esperança nas ausências consentidas.

“Conta comigo” é chegar antes de ser necessário, antecipar dias de solidão e acolher a vulnerabilidade, porque a vida faz muito mais sentido se soubermos partilhar os bons e os maus momentos!

(Manuela Resendes)

“Entre o sono e o sonho”

Fui desafiada pela Chiado Editora para contribuir com um poema da minha autoria para o livro “Entre o sono e o sonho”.

O meu poema reuniu os critérios para ser incluído no referido livro, não podendo deixar de fazer um agradecimento à Chiado Editora por mais esta oportunidade de dar a conhecer a um publico mais vasto um pouco da minha escrita. Não posso também deixar de agradecer a todos aqueles que seguem o meu blogue e que todos os dias me incentivam a prosseguir nesta caminhada.

O meu muito obrigada!!!

(Manuela Resendes)

Tempos exigentes…

Olho à minha volta e tudo está agreste…

As nuvens de cinza escuro movem-se com a urgência da descarga, o vento sopra forte de norte e a chuva cai de forma raivosa.

Vejo olhares vagos, perdidos num tempo sem medida, e gestos meigos escurecidos de silêncio, fugindo de lengalengas fastidiosas e inférteis.

Ouço um murmúrio de queixume e o alento vai esmorecendo como o arome do perfume, restando uma coragem feita de cansaços.

E quando o sol desaparece a poente, os pensamentos surgem alados de medos prematuros, tocando as arestas do futuro.

Mas há sempre um novo raiar, que nos permite olhar os amplos horizontes e encher de novo a alma de uma energia retemperadora que nos reconcilia com a vida, vendo em cada gota de orvalho o germinar de um tempo harmonioso.

Que nestes tempos incertos nunca nos faltem os Sonhos e a Fé…

(Manuela Resendes)

Carta a um Amigo de infância…

Na sequência do desafio lançado pela Editora Letras Lavadas para escrever uma carta a um amigo/a no âmbito das comemorações do dia de Amigos/as, tradição açoriana que este ano devido à pandemia teve de ser feita à distância, dei o meu contributo com a escrita de uma missiva endereçada a um amigo de infância.

Estas cartas foram publicadas pela referida editora no e-book “Longe da vista, mas perto do coração“, que pode ser consultado através do link letras lavadas.pt, sendo o download gratuito.

Partilho aqui a carta com que respondi ao referido desafio….

Meu Caro Luís,

Espero que esta carta te encontre bem, apesar das circunstâncias mais difíceis e desafiantes que estamos a viver. Mas como tantas vezes dissemos, a vida é feita de saltos e sobressaltos e são os amigos a tecer a rede que nos ampara ou serve de trampolim para voos mais altos.

Nestes dias mais introspetivos dei por mim a pensar nas nossas brincadeiras de infância, e no quanto ficávamos felizes com as pequenas transgressões, como saltar na poça com mais água ou visitar aquele vizinho que tinha sempre uma história engraçada para contar, atrasando o regresso a casa, com a consequente repreensão.

Mais tarde eram as longas conversas, em que tudo era questionável, fazendo-nos perder a noção do tempo, mas ganhando estatuto de gente crescida com opiniões bem demarcadas e sentindo-nos donos da verdade.

E foi-se gerando assim uma tal cumplicidade entre nós que um olhar, ou um silêncio, era imediatamente percebido, e o seu significado descodificado. Os sonhos eram também eloquentes, com projetos conjuntos com grande impacto no futuro da humanidade.

Entretanto quis o destino que a nossa vida decorra separados pelo mar, mas sempre soubemos transmitir a coragem, o otimismo e o alento de que o outro precisa.

Quantas vezes depois de um momento triste acabámos com uma gargalhada, desconstruindo e tornando mais leve a realidade, inventando soluções quase mágicas, nesta conexão mental que perdura, apesar do tempo e da distância.

E enquanto te escrevo espreito pela janela e um raio de sol rasga o cinza do céu deste dia nublado e triste, e avisto a roseira que um dia me ofereceste acompanhada de uma mensagem que me acompanha até hoje, que não, sei se te lembras, dizia o seguinte: “mesmo as rosas vermelhas de que tanto gostas, apesar da sua beleza, têm espinhos; a vida também é assim…”. Com esta recordação o dia ganhou um novo colorido, e ao ver os botões de rosa a desabrochar livremente, indiferentes ao que se passa á sua volta, senti-me voltar à infância com uma inocente sensação de liberdade.

E como a carta já vai longa, despeço-me na esperança de um reencontro breve e na expetativa de receber notícias tuas.

Um grande beijinho desta tua amiga que te traz sempre no coração.

Manuela Resendes

Votar é um Direito/Dever

Amanhã é dia de eleições presidenciais no nosso país, momento de exercermos o nosso direito de voto em liberdade e consciência, fortalecendo a democracia e contribuindo para o que nos parecem ser as melhores escolhas para a nossa vida em sociedade.

Não basta criticar, dizer que tudo está mal, e que as injustiças são mais do que muitas; este é o momento de dar-mos o nosso contributo, pois se nos abstivermos de forma deliberada, desvalorizamo-nos cívica e socialmente, perdendo moralmente o direito à crítica e reivindicação.

O direito de voto foi conferido a todos os portugueses maiores de 18 anos com a aprovação da Constituição Portuguesa após a Revolução do 25 de abril.

Respeitemos a luta de tantos para chegarmos até aqui e podermos livremente exercer este direito/dever de votar, participando assim nas escolhas para o nosso país.

Vote em segurança. Mas vote !!!

(Manuela Resendes)

Dia de Amigos…

Em tempo de pandemia a comemoração do Dia de Amigos terá de ser mais contida, com a devida distância física, mas em festa, pois a amizade não conhece muros, nem confinamentos, e muito menos faz uso de máscaras ou de restrições de liberdade.

A amizade atravessa a imensidão do espaço e transcede todos os limites, num tempo fértil e cúmplice, sempre com a porta aberta para falar e escutar, para sublimar o silêncio e perscrutar o olhar, sendo âncora quando nos foge o chão.

Mas é também feita de risos desarmados e alianças inquebráveis, aventuras em mar aberto sem rotas delineadas, fazendo ecoar azuis profundos. É resistência nas tempestades e abrigo nas chuvas de verão, sabendo acolher as palavras desamparadas, ávidas de serem escutadas antes de calcificarem, silenciadas.

Mas quando os meus olhos se alagam de água, os amigos são o porto seguro, como sou para eles o céu de azul macio em dias de raivas flamejantes.

Os amigos são pacientes e tolerantes, pois são feitos de uma bondade que poucas vezes encontramos, de uma leveza fascinante, suspensos num fio invisível de dádiva permanente.

Os amigos são o açúcar e o sal, com que temperamos a vida.

Feliz dia de amigos, sempre em segurança!

(Manuela Resendes)

Pandemia, a quanto obrigas

Estamos de novo privados de liberdade, mas a contagem do tempo não cessa e a vida continua a ter de se cumprir, agora com menos ruído e travagens repentinas.

É tempo de ver a paisagem da janela, ouvir a natureza e parar para pensar o nosso papel na família, na sociedade e no Mundo.

E porque o tempo é uma matéria prima escassa e de alto valor acrescentado não nos podemos dar ao luxo de o esbanjar, banalizar ou transformar num tédio que se arrasta vagaroso e sem propósito.

Vamos soltar os nossos pensamentos, soprados por uma brisa suave, que nos vai conduzindo sem roteiro prévio a lugares pouco visitados, onde encontramos respostas inesperadas.

O Mundo está em profunda metamorfose, donde resultará uma nova ordem, mas precisamos de refletir sobre a forma de continuar esta caminhada. Não podemos ter medo de ser a peça que não encaixa, de ser círculo no quadrado ou o sol em dia de chuva pois, por vezes, temos de ser disruptivos com o previamente estabelecido para ver a mudança acontecer.

Não nos podemos apenas amargurar com os males do mundo, temos antes de os escutar e combater, de indignar e acolher causas, de mobilizar e persuadir com o nosso querer e a nossa luz.

O tanto que há para fazer não nos pode paralisar, e mesmo sabendo que somos ínfimos na imensidão da terra temos de pensar no exemplo do mar que é feito de gotas e possui uma força infinita.

Vamos reaprender a parar, pensar e só depois agir, sinto que é urgente…

(Manuela Resendes)